16.12.08

luna lua luna (part.16)

Luna prometeu que ia arrumar seu quarto.
E ela arrumou. Mas quando foi procurar sua música favorita, ela não achou.
E depois se perdeu em um lugar desconhecido.

24.11.08

luna lua luna (part.15)

Quando Luna acordava, ela só queria voltar a dormir.
Ela sempre estava cansada, sempre com sono, sempre em sonhos.

14.11.08

luna lua luna (part.14)

Para Luna os anos que passavam não significavam nada.
Eram apenas anos, apenas isso.
Mas as primaveras que pertenciam ao passado, eram flores na sua memória e cores perdidas.

29.10.08

luna lua luna (part.13)

Luna sonhava.
Havia uma casa com laranjeiras na porta e margaridas na janela.
E dentro dessa casa havia um lar.

19.10.08

luna lua luna (part.12)

Luna não sabia quantos guarda-chuvas, brincos e músicas ela já havia perdido.
Ela só não perdia os livros, nunca.

4.10.08

luna lua luna (part.11)

E Alice?
Alice seria um tango,
o mais sexy e intenso tango que já existiu.

luna lua luna (part.10)

Luna adorava quando Clara sorria.
Com certeza Clara seria Jazz,
belo e forte Jazz.

luna lua luna (part.09)

Luna tinha sonhos.
ELa sonhava com música que se transformava em gente
e gente que virava música.


E ela sabia que ela seria um blues.
Daqueles lentos e calmos.

luna lua luna (part.08)

Ela leu um livro onde as palavras viravam lágrimas e risos.
Ah! Como Luna adorava esse tipo de livro!

1.10.08

luna lua luna (part.07)

Luna, na verdade, se chamava Maria.
Só que ela não tinha cara de Maria,
e até ela mesma sabia disso.

29.9.08

luna lua luna (part.06)

Naquele dia, Luna andava na rua pensando em coisas, em música, em flores.
E sem prestar atenção, ela quase foi atropelada por um caminhão amarelo.

21.9.08

luna lua luna (part.05)

Com 18 anos, Luna queria conhecer o mundo.

Com 20 anos ela queria conhecer a si mesma.

E com 23, ela conheceu um cara que quebrou seu coração.

14.9.08

luna lua luna (part.04)

Havia música o dia todo.
Na sua cabeça e nos seus dedos, na sua boca e na sua mente, no som e nos shows.
Toda sua vida possuia trilha sonora. Ela não tinha lembranças, apenas a música.

6.9.08

luna lua luna (part.03)

Ela começou a fumar com 14 anos.
Apenas para impresionar um garoto bobo que nem foi seu 1º beijo.

27.8.08

luna lua luna (part.02)

Ela tinha 7 anos a primeira vez que ouviu falar sobre o paraíso. Luna pensou, na época, que devia ser um lugar chato.

12.8.08

luna lua luna (part.01)

Luna sempre odiou seus aniversários.
Não porque ficasse mais velha, mas porque nunca era dia de lua cheia.

27.6.08

43

Em desespero, ele olhou para o céu e perguntou sobre o futuro. Em segundos veio a resposta.
Um cocô de pombo em sua testa.

...

Não chovia, mas isso não importava muito. Ela sempre saia de casa com um guarda-chuva. Dizia que não gostava de surpresas. Por isso também sempre levava uma roupa extra na bolsa, pro caso de manchar a camisa ou sujar a calça. Ela não gostava de surpresas e por isso havia terminado um namoro. E não namorava mais, nem homens nem mulheres, afinal são todos imprevisíveis. Sempre comia a mesma coisa, no mesmo lugar, até que um dia colocaram mais sal no arroz. Ela, então, passou a levar comida de casa, era melhor assim. Não tinha amigos e só ouvia a mesma música, sempre. Não lia livros, a não ser que soubesse o final. Era sozinha, mas isso não a incomodava, nunca. Até que um dia descobriu que o céu não é azul, que o sol não é amarelo e que a solidão doía. Por isso se matou. Não gostava de surpresas, pelo menos era o que dizia a carta manchada de sangue.

12.6.08

...

Por que sempre sou eu que tenho que procurar seus olhos?

8.6.08

...

e havia outro mundo que ela só conheceu depois de perder tudo.

3.6.08

...

Em um minuto ele estava lá. Não sorria, não chorava, não sofria ainda. E no minuto seguinte todos os sentimentos vieram juntos. E foi minha vez de não sentir nada.

23.5.08

...

Tudo que a garota queria era não pensar. Então ela pegou a arma, deu um tiro na cabeça e nunca mais pensou em nada.

...

Depois do susto, o grito! Hoje não me reconheci no espelho.

Então percebi que estava sem óculos...

...

Eles seriam perfeitos juntos. Pena que nunca se conheceram.
Ela morreu cedo demais. E ele acabou casando com uma garota qualquer que nunca o fez feliz.

20.5.08

...

E durante um sorriso, surgiram saudades e desejos incontidos. Tudo, no fim, explodiu através de uma risada surpresa e sem sentido.

18.5.08

...

Anoiteceu.
Passei o dia trabalhando. Passei a semana ocupada. Passei o mês sem música. Mas passado sempre será passado. Então tanto faz. Hoje, agora, a música toca alta. Minha carteira de cigarros ta cheia. Acabei o livro de poesia que estava lendo. Nesse segundo, minha felicidade está completa.

9.5.08

...

e do prazer veio a dor...

9 meses depois.

e da dor veio mais dor...

19 anos depois.

...

Deitada na cama não sinto o tempo passar. Olhando pro teto não vi você entrar e sair do quarto. Uma vez ou outra choveu lá fora, mas eu não percebi. E assim os dias passam. E assim os segundos vêm e vão. No meu mundo nada importa. Eu só quero fechar meus olhos e sonhar para sempre.

5.5.08

não quero mais ser

Ele gemeu no meu ouvido. Mais forte e mais forte
Eu olhava pro teto. Com tédio e tristeza
Senti ele dar aquele último gemido, o mais profundo e não menos estranho e depois saiu de cima de mim, e querendo ou não querendo bateu seu joelho na minha coxa. Além de tédio e tristeza, tem dor.
Observo enquanto ele fuma. Queria fumar também, mas isso não é coisa de dama, era o que minha mãe dizia, sempre. Ela já morreu, coitada, como dama. Durante exatos 4 segundos penso em pedir um cigarro.
Depois lembro que ele também acha que fumar não coisa de dama.
Hoje foi bom, né, amor?
Por dentro eu rio, aquela risada amarga de quem perdeu a melhor época da vida. Só quem perdeu essa época sabe como é.
Foi bom.
Ele sorri orgulhoso por fora, como só um homem pode sorri.
Volto a olhar pro teto. Mais tédio e mais tristeza.
Levanto e vou pro banheiro. E mais uma vez me pergunto o porque de eu me sujar dessa maneira.
Passo a mão entre as pernas e sinto nada.
Eu sempre fui dama? Ou me tornei dama para meu marido?
Talvez fosse a hora de terminar com esse casamento.
Quero fumar e beber e trepar. Fazer tudo que uma dama não deve fazer jamais.
Quero ficar em baixo do chuveiro até o mundo explodir e eu não precisar voltar e contar para ele o meu desejo.
Desligo o chuveiro e vou pro quarto colocar outra camisola, uma limpa e que não tenha esse cheiro fétido de sexo.
Quero falar.
E olho pra ele na cama, com o cigarro no final e um sorriso que me dá ânsia. Ainda sorrindo ele apaga o cigarro enquanto eu me aproximo pronta pra falar tudo que eu sempre guardei. Todos aqueles defeitos dele que me irritam e todos meus sonhos que destruí por nada. Até que vem o medo. O medo. Aquele que todos sentem em algum momento da vida, medo de ficar só e não ter defeitos de outros pra reclamar.
Vamos fazer de novo.
E ele sorri ainda mais. Um sorriso que só um homem sabe dar. Com um orgulho de macho que é igual em todos. E vou continuar a ser dama. E, sem prazer algum, só com tédio e tristeza, e talvez dor.

30.4.08

...

olhei o espelho e qual não foi minha supresa ao me ver, mas não ver isso que todos vêem.
Eu vi dentro de mim

...

Hoje não tem sol. Mas não parece que o céu chora... é chuva mesmo.

em meio às cores


em outro mundo, um outro olhar.

...

Ei, menina!
Olha para mim e diz que me ama!
Então pelo menos olha pra mim. Tira o olhar dessa televisão velha e olha pra mim. Eu sou mais interessante que esse programa bobo de fim de tarde.
Ei, menina!
Eu estou aqui. Eu sempre estou aqui e você nunca percebe. Hoje, só hoje, me dá um pouco de atenção nesse dia chato e monótono.
Ei, menina!
Já disse... larga essa tv e vem me ler.
Ou então só me beija.

27.4.08

Vem!

Dança comigo?
Era o que a música dizia. Pena que ele não ouviu.

15.4.08

mais um dia

Acordei e olhei para o sol através da janela.
Tomei café, tomei banho. Tomei remédio, nada de mais, apenas vitaminas.
Passei batom, coloquei os óculos, guardei as chaves na bolsa. Mas, sabia que estava esquecendo alguma coisa.
Fechei a porta, desci as escadas, abri o portão e vi poças d’água na rua. Havia chovido na noite anterior?
Olhei o pulso pra ver as horas. O relógio devia estar na bancada do banheiro.
Sem pressa fui pro ponto. Enquanto esperava o sinal fechar para poder atravessar a rua vi meu ônibus passar, sem nem olhar pra mim.
Depois de 43 minutos chego ao trabalho com 6 minutos de atraso. Ou talvez sejam 7, sem o relógio fica difícil saber com certeza.
No meio da manhã meu chefe me chama:
- Pode vir na minha sala agora?
Então fui demitida.
Mais duas semanas antes de sair por aquela porta e nunca mais voltar.
5 e 30 da tarde: volto pra casa.
Estou sem fome. O relógio tava em cima da geladeira. Como foi parar lá?
Liguei o som. Ele continuou a tocar a música 7 do meu cd favorito de Rita Lee.
Tomei banho. E enquanto vestia minha camisa mais velha aumentei o volume.
Percebo que tinha tempos que eu não ficava na varanda fumando um cigarro. Olhei pro céu e descobri a resposta.
A vida não gosta de tédio, por isso ela inventa problemas.

8.4.08

...

Sabe quando o tempo passa e sua lágrima seca?
Você não sente medo por um momento?
Medo de nunca mais chorar?

3.4.08

...

sonhe, deseje, queira... e apague as velinhas.

Aninha!

Ana, Ana! Você lembra quando a gente se conheceu?
Seu abraço é tão gostoso, Ana.
Ana, você é tão doce.
Me perdoa, Ana, por favor.
Ana, você faz parte dos meus sonhos.
Me beije, Ana, me beije.
Ana, pensei em você o dia todo.
Ana... acho que estou apaixonada.
Você vai me abandonar, Ana?
Ana, o sol está brilhando!
Sabe, Ana, você tem razão, eu sou uma boba.
Por que o tempo machuca, Ana?
Pára, Ana, que brincadeira chata.
Não era para sempre, Ana?
Ana, meu coração é seu.
Fecha a porta ao sair, tá Ana?
Fiz um poema, Ana, pra você.
Qual sua flor favorita, Ana?
Ana, você me ama, não é?
Não, Ana, eu não estou chorando.
Te amo, Ana.
Ana?
Ana?

...

Noite.
Noite escura.
Noite muito escura.
E estrelas.
Muitas estrelas.
Até que a luz volta.

31.3.08

...

Deixe-me contar uma mentira.

...

Às vezes, só preciso sentir o vento no meu rosto.

Às vezes, quando sinto o vento no meu rosto, penso que gostaria de voar.

30.3.08

...

Sol. Água. Café. Rua. Trabalho. Almoço. Trabalho. Rua. Casa. Água. Cigarro. Café. Noite. Jornal. Cama. Sono. Sonho. Sol. Água. Café. Rua. Trabalho. Almoço. Trabalho. Rua. Casa. Água. Cigarro. Café. Noite. Jornal. Cama. Sono. Sonho. Sol. Água. Café. Rua. Trabalho. Almoço. Trabalho. Rua. Casa. Água. Cigarro. Café. Noite. Jornal. Cama. Sono. Sonho. Sol. Água. Café. Rua...
E a vida vai seguindo sempre assim.

28.3.08

Outra noite

O sol está nascendo. Não dormi a noite toda. Não sei bem o por quê. Hoje faz uma semana que não fumo. Não estou tentando parar, ainda. Encostei o pé no chão e balancei a rede. Pensei em me levantar e pôr uma música, mas apenas me espreguicei. Peguei a garrafa de vinho vazia e senti o cheiro da bebida. Adoro esse cheiro. Mas no momento o que eu queria mesmo é uma xícara de café. Olhei pro céu, as nuvens passavam devagar: um cachorro, um dragão, uma mulher com o penteado engraçado. Lembrei de quando eu filava aula no colégio para deitar embaixo de uma árvore e ver todos os tipos de figuras no céu. Tempos bons. Agora sinto falta do meu passado. Sinto falta da minha bicicleta amarela. E daquele barzinho do qual não lembro o nome. Sinto falta da minha sapatilha vermelha... eu adorava aquela sapatilha! Sinto falta também dos meus 16 anos...e do meu riso daquele tempo. Sinto falta... Droga!! São 6 horas, tenho que me arrumar pro trabalho. Levantei e depois de dois passos olhei pra trás. A rede ainda balançava um pouco. A garrafa de vinho estava jogada no chão. As nuvens passavam sem pressa. Até que meu presente não estava mal. Meus olhos sorriram.

24.3.08

...

Me beije.
Só preciso de um beijo para sonhar esta noite.

Sabe...

Te olhei sentado do meu lado , com o cabelo caído na testa. De cinco em cinco segundos, você balançava a cabeça para tirar a franja dos olhos. Você sempre detestou quando eu tentava ajeitar seu cabelo com minhas mãos. Mesmo sabendo disso não consegui resisti. Você me lançou aquele seu olhar, aquele que demonstra claramente que você está irritado, e eu, tentando superar a dor, ri.
Você não sabe, mas esse seu olhar sempre me machuca.
Você não sabe, mas eu não poder te tocar sempre me machuca.
- Sabe... Eu te amo - sussuro com minha voz mais doce.
- Ahã? Você disse alguma coisa?
- Não, não falei nada.

18.3.08

Noite estrelada

Eu estava na varanda, olhando as estrelas. Nossa! Havia tantas estrelas!
Quando eu ouvi o primeiro grito.
- Socorro!
Olhei para baixo da minha varanda e vi uma mulher correndo. Parecia que o próprio Diabo a perseguia.
- Socorro!
Mas o que o Diabo ia querer com uma mulher dessas?
- Socorro!
E ela continuou a gritar até virar a esquina.
E eu voltei a olhar para o céu.

Diálogo

-Oi.
-Oi.
-Porque você está aqui?
-Vim à procura do maior dos meus desejos.
-O que é?
-Meu sonho.
-Seu desejo?
-Minha vontade.
-Você quer.
-Eu quero...
-Eu sei.
-... o Silêncio.
-Não posso te dar.
-Mas eu quero com todas as minhas forças.
-Peça outra coisa.
-Eu quero isso.
-Deseje outra coisa.
-Desejo apenas isso.
-Não tem como eu te dar.
-Por quê?
-Eu não possuo o silêncio.
-De quem é então?
-Dela.
-Quem é ela?
-Não sei.
-Eu preciso...
-Eu também.
-... do silêncio.
-E o barulho? Você não quer?
-Quero.
-Eu também.
-Vamos dividir.
-Enquanto você está com o silêncio...
-Você está com o barulho.
-Como vamos pegar o silêncio?
-E o barulho?
-Os dois estão com ela.
-Vamos pedir
-São nossos desejos.
-E sonhos.
-E vontades.

16.3.08

Enquanto eu dormia, o sol nasceu.

minha escolha

Meu coração palpitava. Meus joelhos tremiam e meu corpo não parecia me pertencer. Eu queria pular. Eu queria me entregar. E não conseguia.
Por três segundos meu coração parou. Tudo à minha volta ficou negro como uma noite sem estrelas. O medo apertava minha garganta. Meu coração voltou a bater, mais rápido do que nunca. Tum-tum tum-tum tum-tum. Olhei o céu azul e pensei no que almoçar no dia seguinte. Sorri. E me lancei ao abismo.

14.3.08

Dia da Poesia

Adoro poesias... e como hoje é um dia dedicado à essa forma de expressar os sentimentos incompreensíveis, vou postar uma das minhas favoritas.


Verbo no infinitivo - Vinicius de Morais

Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor, nascer
Respirar, e chorar , e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, e ao mundo ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser , e haver
E perder, e sofrer e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinitivo ...