27.6.08
...
Não chovia, mas isso não importava muito. Ela sempre saia de casa com um guarda-chuva. Dizia que não gostava de surpresas. Por isso também sempre levava uma roupa extra na bolsa, pro caso de manchar a camisa ou sujar a calça. Ela não gostava de surpresas e por isso havia terminado um namoro. E não namorava mais, nem homens nem mulheres, afinal são todos imprevisíveis. Sempre comia a mesma coisa, no mesmo lugar, até que um dia colocaram mais sal no arroz. Ela, então, passou a levar comida de casa, era melhor assim. Não tinha amigos e só ouvia a mesma música, sempre. Não lia livros, a não ser que soubesse o final. Era sozinha, mas isso não a incomodava, nunca. Até que um dia descobriu que o céu não é azul, que o sol não é amarelo e que a solidão doía. Por isso se matou. Não gostava de surpresas, pelo menos era o que dizia a carta manchada de sangue.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário