27.6.08

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Em desespero, ele olhou para o céu e perguntou sobre o futuro. Em segundos veio a resposta.
Um cocô de pombo em sua testa.

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Não chovia, mas isso não importava muito. Ela sempre saia de casa com um guarda-chuva. Dizia que não gostava de surpresas. Por isso também sempre levava uma roupa extra na bolsa, pro caso de manchar a camisa ou sujar a calça. Ela não gostava de surpresas e por isso havia terminado um namoro. E não namorava mais, nem homens nem mulheres, afinal são todos imprevisíveis. Sempre comia a mesma coisa, no mesmo lugar, até que um dia colocaram mais sal no arroz. Ela, então, passou a levar comida de casa, era melhor assim. Não tinha amigos e só ouvia a mesma música, sempre. Não lia livros, a não ser que soubesse o final. Era sozinha, mas isso não a incomodava, nunca. Até que um dia descobriu que o céu não é azul, que o sol não é amarelo e que a solidão doía. Por isso se matou. Não gostava de surpresas, pelo menos era o que dizia a carta manchada de sangue.

12.6.08

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Por que sempre sou eu que tenho que procurar seus olhos?

8.6.08

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e havia outro mundo que ela só conheceu depois de perder tudo.

3.6.08

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Em um minuto ele estava lá. Não sorria, não chorava, não sofria ainda. E no minuto seguinte todos os sentimentos vieram juntos. E foi minha vez de não sentir nada.